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Kali: a mulher mais poderosa do
universo
parte 1 / parte 2
/ parte 3 / parte 4 /
parte
5
| ORIGEM DE KALI
O misticismo encobre não apenas sua
forma, mas também a origem de Kali. Há três linhas
mais significantes que foram traçadas para encontrar sua origem,
embora Ela transcenda mesmo essas fontes. Algumas vezes Ela é vista
como uma transformação, ou uma forma que se desenvolveu a
partir de alguma das divindades dos Vedas citada nos Brahmanas e Upanishads,
especialmente Ratridevi, a Deusa da noite profunda, também chamada
Maharatri, a Noite Transcendental, e Nirtti, a dançarina cósmica.
Alega-se que o aspecto mais sombrio de Kali se desenvolveu a partir de
Ratridevi, e sua dança, que ele realiza para destruir, teria se
originado na dança cósmica de Nirtti que também pisava
sobre tudo o que caía sob seus pés. A Mundaka Upanishad fala
sobre as sete línguas de Agni, sendo que uma delas atua no local
de cremação e devora os mortos. Dando grande ênfase
à associação entre Kali e esta língua de Agni
com o local de cremação, alguns eruditos procuraram na língua
de Agni a origem da forma de Kali. |
Kalaratri - a Noite Cósmica
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Embora variem em suas versões,
os Puranas percebem Kali como um aspecto da Devi – a Deusa, uma divindade
que agora está quase completamente fundida com Durga. No entanto,
considerando o status da própria Kali como uma Deusa, assim como
o culto muito difundido dela, que prevalece entre várias tribos
e grupos étnicos espalhados em áreas rurais remotas, Kali
parece ser uma divindade antiga e talvez pré-Vêdica.
Como seu nome sugere, ela parece ser o aspecto
feminino de Kala – o tempo – aquele ser invencível, imensurável
e infinito que tem sido venerado como Mahakala – o tempo transcendental
– representado na tradição indiana metafísica e religiosa
por Shiva. Na terminologia religiosa, Mahakala é apenas outro nome
de Shiva. Alguns ícones do vale do Indus parecem representar, além
de Shiva, uma divindade feminina feroz, que poderia ser Kali uma provavelmente
uma forma que a precedeu. |
Mahakali |
O Budismo, uma corrente de pensamento
que se opôs à percepção dos Vedas na maioria
das coisas, introduziu no seu panteão Mahakala e um divindade feminina
feroz que se manifesta sob várias formas, como sendo a contraparte
feminina de Mahakala. Obviamente, o Budismo deve tê-la introduzido
a partir de uma fonte não Vêdica, já que se opunha
veementemente aos Vedas. Invocada com grande fervor em muitas ocasiões
no Mahabharata, mais especialmente no Bhishma-Parva, um pouco antes do
ponto onde o Senhor Krishna apresenta seu sermão do Gita, Kali parce
ser uma divindade bem estabelecida durante os dias do épico, ou
seja, séculos antes do início da era dos Puranas. Embora
invocada como "arya", um termo que indica grande reverência, Arjuna
a louva como uma mulher tenebrosa com guirlanda de crânios, com a
pele semelhante ao bronze escuro... e com epítetos como Mahakali,
Bhadrakali, Chandi, Kapali... características que ainda são
relevantes na iconografia de Kali.
Um grande número de textos do período
que vai do século II ao IX, como Kumarasambhava de Kalidasa, Vasavadatta
de Subandhu, Kadambari de Banabhatta, Malitimadhava de Bhavabhuti e Yashatilaka
de Somadeva, também fazem alusão a Kali, um fato que indica
sua grande popularidade em domínios diferentes da religião.
Esta Kali transcende de forma essencial Ratridevi, Maharatri e Nritti dos
Vedas, ou uma das sete línguas de Agni, ou uma forma divina que
tivesse surgido a partir delas. |
A vitória da Devi
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No entanto, não se pode atribuir
esta ou aquela origem a Kali. Mesmo se tiver sido uma deusa de origem antiga
das tribos primitivas, ela tem uma amplitude e poder muito superior ao
que as divindades primitivas benfazejas geralmente tinham. Ela não
pode ser tratada como uma mera divindade tribal de origem indígena,
a menos que se sacrifique sua absoluta familiaridade e seu status na linha
Hindu tradicional. Além disso, não podemos atribuir à
tradição sua criação absoluta, pois isso comprometeria
seu status de Deusa e ela seria reduzida a algo que não é.
Seja qual for sua origem, talvez indígena,
Kali surge na tradição com uma reverência e impulso
muito maior do que se atribui aos demais deuses. Ela não é
um mero epíteto ou aspecto de outra Deusa. Ela foi concebida como
o poder (Shakti) do Tempo (Kala). Como Kala, Ela permeia
todas as coisas, manifestas ou ocultas. Os Puranas percebem Kali como a
cólera personificada de Durga – a incorporação da
fúria – mas de qualquer forma Ela é sua verdadeira Shakti.
Mesmo furiosa, Durga invoca Kali para realizar o que ela própria
não consegue fazer. Depois que Durga separa Kali de si própria
e Kali emerge com sua própria forma – um ser independente – Ela
reina suprema em todo o panteão Hindu, com relação
ao seu poder de destruir e vencer os inimigos. |
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| Kali não é meramente o poder
de Durga, ela também foi concebida como o aspecto dinâmico
do Senhor Shiva. Em uma relação deliciosa, o "a" de Shava
e Kala nega o que é realizado pelo "i", o componente principal de
Shiva e Kali. Shava é o corpo sem vida, aquilo que sobra no universo
manifesto quando o Poder do Tempo o toma sob seu controle, e Kala é
o que se revela apenas no aspecto manifesto do universo, e assim ambos
são limitados. Quando o "i", simbólico da energia feminina,
que se manifesta como Kali, se une a eles e transforma Shava em Shiva e
Kala em Kali, ambos emergem como ilimitados, atemporais. Este universo
está contido em Shiva, e assim, nele ocorre a transição
do que é temporal para o atemporal. Kali, que é o Poder do
Tempo, não sofre essa transição. |
Kali unida a Shiva / Shava
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