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Kali: a mulher mais poderosa do
universo
parte 1 / parte 2
/ parte 3 / parte 4 /
parte
5
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Prof.
P.C. Jain and Dr Daljeet
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Kali personifica os três aspectos do ato
cósmico, que se revelam na criação, na preservação
e na aniquilação. Ela é a divindade mais misteriosa
de todas as ordens religiosas indianas – no Budismo, no Jainismo, entre
os seguidores de Vishnu ou Shiva, ou qualquer outra. Ela faz gestos que
asseguram a ausência de medo (abhaya) e benevolência
(varada), definindo perpetuamente sua disposição mental
mais profunda. Porém, em contraste, a aparência da Deusa inspira
sentimentos de espanto e terror, espalhando a morte com a espada nua que
carrega em uma de suas mãos e se alimentando com o sangue que jorra
dos corpos que mata. Os instrumentos de destruição, para
ela, são meios de preservação. Seu caminho de passagem
para a vida é através da moradia que Ela escolheu – o terreno
de cremação, iluminado por piras queimando e cheio dos ecos
de gritos dos chacais e dos fantasmas, que pairam sobre cadáveres
desmembrados. |
Kali
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| A Deusa mais sagrada, Kali, partilha sua moradia
com terríveis monstros que comem carne humana (pishachas)
e é representada montada sobre um cadáver. Ela ama Shiva,
mas só se une com o seu cadáver (shava), seu corpo
passivo e morto, sendo ela própria o agente ativo. Ela se alegra
com a destruição e ri, mas apenas para fazer com que os quatro
cantos da Terra e do Céu tremam de terror. Sendo uma mulher, Kali
gosta de se enfeitar, mas seus ornamentos são uma guirlanda ou um
colar de cabeças humanas decepadas, um cinto com braços humanos
cortados, brincos com cadáveres de crianças, braceletes de
serpentes – tudo com aparência horrível e lamentável.
A essência de Kali é essa fusão de contradições,
um misticismo com o qual nenhuma outra divindade foi dotada. Vashishtha
Ganapati Muni disse corretamente sobre ela:
"Tudo aqui é um mistério de contrários,
trevas, uma luz mágica que oculta a si própria, sofrimento,
uma máscara secreta do êxtase trágico, e morte, um
instrumento de vida perpétua."
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Kali sobre Shiva |
| O que define Kali e também o cosmos
que Ela manifesta, é a fusão de contrários – não
apenas como duas coisas que existem juntas, mas como dois aspectos essênciais
da unidade. Do útero, que é mais escuro do que os recessos
mais pro-fundos do oceano, onde nenhum raio de luz jamais chega, surge
a vida. Da mesma forma, das trevas nasce a luz brilhante, e quanto mais
profunda a escuridão, mais brilhante essa luz. Uma realização
que contrasta com o sofrimento, pois a alegria é a face brilhante
do sofrimento – o filho que nasce dela, por contraste. A árvore
nasce quando a semente explode e sua forma é destruída, isto
é, a vida é o renascimento da morte, e sua forma, toda sua
beleza e vigor, é a deformação incarnada. A unidade
interrelacionada dos contrários define ambos, cosmos e Kali. A Deusa
de tonalidade escura, que representa nela própria as trevas, o sofrimento,
a morte, a deformação e a feiúra, é a fonte
mais poderosa de vida, luz, alegria e beleza – o aspecto positivo da criação.
Ela destrói para recriar, produz sofrimento para que a alegria se
revele melhor, e em sua forma assustadora deve-se ultrapassar todos os
medos, não escapando deles, mas aceitando-os como bem-vindos. |
Mãe Kali
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| A invocação da luz é
comum a todas as ordens religiosas e todas as divindades. Na invocação
a Kali, o devoto se confronta com as trevas que agregam morte, destruição,
sofrimento, medo e todos os aspectos negativos do universo. Não
sendo sua presa mas sim um guerreiro valioso, o devoto procura superar
as trevas e descobrir tudo o que elas ocultam – luz, vida, alegria e até
mesmo a libertação do ciclo de nascimentos e mortes. Kali
lhe dá assistência em sua batalha. Ela concede sua graça
ao seu devoto que adquire assim o domínio sobre todas as trevas
cósmicas – acessíveis ou inacessíveis, conhecidas
ou desconhecidas, ou impossívels de conhecer, que Ela condensa em
si própria. Se não estivessem condensadas assim, o devoto
não poderia apreender e controlar sua imensidão cósmica.
Kali é a divindade suprema dos Tantrikas, pois nela eles descobrem
o instrumento que lhes permite comandar diversas forças cósmicas
de uma única vez. A antiga popularidade de Kali entre as tribos
primitivas ignorantes foi inspirada, talvez, por seu poder de revelar a
luz a partir das trevas, algo que eles possuem dentro e fora e em grande
abundância. Por outro lado, Kali assegura a luz perpetuamente. Em
cada ciclo, uma caminhada que parte da luz termina nas trevas, mas aquela
que se inicia nas trevas deve necessariamente chegar aos vales da luz ilimitada. |
A terrível Vajrapani com auréola
do fogo da sabedoria
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| Invocar e associar-se ao terrível –
o aspecto negativo da criação – afastando assim os males
e sua influência, é um culto primitivo que ainda permanece
em vários grupos étnicos e mesmo nas tradições
clássicas como o Budismo, que tem muitas divindades que inspiram
terror, como Kali, ou na tradição grega de Nemeses, as mulheres
cheias de ira que infligiam castigos pelos erros e realizavam a purificação
através de um azar vingativo. Mesmo sem ter a amplitude cósmica
de Kali, nem atingindo objetivos tão amplos quanto o comando dos
elementos cósmicos, há temas como o dragão chinês,
ou o memento mori, na forma de um esqueleto considerado muito auspicioso
por alguns setores da sociedade russa, ou a semurga do mundo islâmico,
formas animais grotestas e temíveis, máscaras de fantasmas...
veneradas em todo o mundo, todas revelam a busca humana para se tornar
benéfica ou mais branda a influência de algum aspecto terrível
da natureza – do cosmos manifesto. |
Kali
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